Transtorno Dismórfico Corporal
1-
Hoje em dia
temos vários distúrbios psicológicos ligados ao corpo. Um deles é a dismorfia
corporal. Como a pessoa desenvolve este distúrbio?
Primeiramente gostaria de explicar o
que é a dismorfia. A dismorfia corporal,
também chamada transtorno dismórfico corporal, é um transtorno mental no qual a
pessoa se sente extremamente preocupada com a sua aparência física e se atribui
defeitos físicos que não existem realmente, mas apenas na sua imaginação, o que
lhe causa sofrimento intenso.Pode existir um pequeno defeito físico, por
exemplo, um nariz grande, espinhas na pele, mas a preocupação e o sofrimento
causados são desproporcionais e a pessoa se sente feia, acha que todos estão
reparando e comentando sobre o seu possível defeito. Esta situação provoca
prejuízos ao seu desempenho social e ocupacional
O
transtorno desenvolve-se em pessoas que tem uma predisposição biológica, uma
predisposição emocional adquirida no seu
desenvolvimento psicológico desde os primeiros anos de vida, na formação da sua
estrutura psíquica e de seu Eu. As características culturais da sociedade atual com a
valorização de um corpo perfeito e a tirania da beleza também são importante
para o desenvolvimento deste transtorno.
2-
A pessoa que
sofre de dismorfia vive uma busca constante pela beleza. Ela acredita , em
algum momento, que alcançou a beleza esperada?
Estas pessoas são ligadas ao
inverso da beleza, ou seja, à feiúra. Dismorfia é uma palavra grega que
significa feiúra . Sentem-se feias e procuram corrigir seus defeitos
imaginários com tratamentos dermatológicos e cirurgias plásticas, mas nunca se satisfazem, porque o “defeito” não é
no corpo, mas sim uma projeção no corpo de conflitos psíquicos inconscientes.
Na estruturação psíquica do Eu existe uma fase que se chama fase do espelho,
onde a criança se reconhece pelo olhar do Outro, no caso, a mãe. Alguma falhas
neste processo criam feridas no narcisismo individual que continuam provocando
dor. Onde algo não foi simbolizado, fica um vazio que se projeta no corpo como
um defeito físico imaginário.
3-
Por se sentir
sempre feio e com defeitos, o dismórfico pode reduzir a sua identidade social?
Qual prejuízo de uma atitude como esta?
Sim. O indivíduo portador deste
transtorno começa a ficar isolado, sentindo-se mal, triste, tímido, o que
prejudica a formação de laços sociais e afetivos e como este transtorno aparece
na adolescência, causa prejuízos intensos na formação da sua identidade social.
4 A pessoa que tem dismorfia corporal costuma não acreditar quando alguém diz que certo defeito não existe. Por que a pessoa cria esta realidade na cabeça e se apega tanto a ela?
4 A pessoa que tem dismorfia corporal costuma não acreditar quando alguém diz que certo defeito não existe. Por que a pessoa cria esta realidade na cabeça e se apega tanto a ela?
Porque existe nestas pessoas uma
deformação da imagem corporal, que é a representação psíquica que fazemos de
nosso próprio corpo. Esta deformação é parcial, restringe-se a uma parte do
corpo que geralmente é a face, mas pode ser localizada em qualquer parte do
mesmo. Argumentações dos outros, embasadas na realidade, não são ouvidas.
5-
Homens e
mulheres são atingidos por este distúrbio na mesma proporção? Mas os sintomas
são os mesmos nos dois?
Não existe diferença na
prevalência deste transtorno entre homens e mulheres. Em relação à população
geral , 1% dos indivíduos são acometidos.
As queixas mais comuns costumam ser na face, por exemplo, nariz comprido,
rugas, manchas na pele, etc. Nas mulheres a maior preocupação costuma ser a
pele e os cabelos(volume e comprimento). Nos homens o cabelo também é fonte de
preocupação (calvície) e o tamanho dos genitais.
6 A dismorfia corporal pode ser uma porta de
entrada para outros transtornos,
como a anorexia e a bulimia?
A anorexia nervosa e a bulimia nervosa são
transtornos alimentares que tem em comum com a dismorfia a alteração da imagem
corporal. Se na dismorfia a alteração da imagem é parcial, na anorexia existe
uma distorção da imagem do corpo na sua totalidade, a pessoa que sofre de
anorexia se enxerga gorda, obesa, embora esteja magérrima. Existe também em
comum uma falta de crítica em relação
aos sintomas e uma preocupação enorme com a aparência estética. E, claro que a
preocupação de um portador de dismorfia pode se transformar numa preocupação
excessiva com o peso corporal e o desenvolvimento de anorexia e bulimia
nervosas.
7 A dismorfia sempre afeta as pessoas na mesma intensidade ou ela tem graus diferentes?
7 A dismorfia sempre afeta as pessoas na mesma intensidade ou ela tem graus diferentes?
Existem desde quadros leves até intensos e graves.
8 Existem casos de pessoas que se deformaram em busca da beleza, e com isso desenvolveram depressão, angústia. O que mais a dismorfia traz à pessoa?
8 Existem casos de pessoas que se deformaram em busca da beleza, e com isso desenvolveram depressão, angústia. O que mais a dismorfia traz à pessoa?
Além de depressão, angústia e
ansiedade, o transtorno dismórfico corporal pode levar a um extremo isolamento
social, os indivíduos podem abandonar a escola, evitar entrevistas em empregos,
trabalhar em ocupações abaixo de suas capacidades, ou não trabalhar. Costumam
ter poucos amigos, evitar encontros afetivos e outras interações sociais como
festas, ter dificuldades conjugais em decorrência de seus sintomas. Nos casos
mais graves, o sofrimento e as dificuldades sociais podem provocar ideações suicidas
e tentativas de suicídio ( em comorbidade com depressão).
O Transtorno dismórfico corporal
pode estar associado ao Transtorno depressivo maior e ao transtorno obsessivo
compulsivo. Observa-se uma incidência maior nas famílias que tem portadores de
TOC.
9 Muitas pessoas vêem nas celebridades o tipo físico perfeito e tentam a todo custo copiá-las. Como esta exaltação à beleza contribui para que as pessoas desenvolvam a doença?
9 Muitas pessoas vêem nas celebridades o tipo físico perfeito e tentam a todo custo copiá-las. Como esta exaltação à beleza contribui para que as pessoas desenvolvam a doença?
Estes são os aspectos culturais
do nosso tempo, com a valorização excessiva da imagem, da beleza, da juventude,
da estética, do individualismo, em detrimento de valores éticos. E muitas vezes
a imagem estética é associada a sucesso,
à felicidade, à inteligência, o que faz com que se procure um ideal inatingível
de beleza, veiculados pela celebridades, mas impossível para a grande maioria
da população. Estes aspectos de nossa cultura global criam um solo propício
para o desenvolvimento da dismorfia.
10 Os cirurgiões plásticos são os médicos mais
procurados pelas pessoas que tem dismorfia corporal. Como pode ele distinguir
um paciente dismórfico de outro normal?
Bem, todas as pessoas que
procuram por uma cirurgia plástica estética estão preocupadas com a aparência. do próprio
corpo, ou seja , cuidados com a saúde e com a imagem física fazem parte do cotidiano das pessoas que
procuram os cirurgiões plásticos. Para
identificar um portador de transtorno dismórfico corporal, o cirurgião plástico
deverá efetuar uma avaliação clínica minuciosa tendo em vista esta questão. Os
indivíduos portadores do transtorno fazem queixas subjetivas que estéticamente
são infundadas e muitas vezes já passaram por mais de uma cirurgia e mantêm-se
sempre insatisfeitos. Caso o cirurgião os opere, isto trará ao paciente uma nova demanda de
insatisfação consigo mesmo e com a cirurgia, acarretando agravamento do quadro.
11 A dismorfia pode surgir em todas as fases da
vida?
O transtorno dismórfico corporal
aparece no início da adolescência e na adolescência tardia( até os 20 anos). A
evolução é flutuante, às vezes melhora e às vezes acentua-se e tende a ter uma
evolução crônica, se não tratado.
12 A família dos pacientes pode confundir o
distúrbio com vaidade? Como os familiares podem perceber que não é frescura?
A princípio pode parecer apenas
vaidade para os familiares. Mas a diferença logo se fará notar porque quem é
portador do transtorno dismórfico estas idéias são supervalorizadas chegando a
tornarem-se obsessivas. Trazem um sofrimento intenso e uma alteração no
comp[ortamento social do indivíduo.
13 Existe tratamento para este distúrbio? Como
é?
Sim. O tratamento é psicoterápico e medicamentoso, de acordo com
cada caso.
14 E como a pessoa pode conviver com este distúrbio sem perder a qualidade de vida?
Desde que reconheça a
necessidade de tratamento especializado psiquiátrico e psicoterápico. Pois
estes pacientes não têm crítica de seus sintomas. A partir momento do reconhecimento da
necessidade de procurar tratamento e do início do mesmo, tudo pode melhorar na vida destas
pessoas.
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