quarta-feira, 11 de setembro de 2013

FOBIAS

FOBIAS

Fobia é um transtorno de ansiedade caracterizado por um medo enorme, irracional de uma situação ou de um objeto que na realidade não oferece perigo.
 O medo é um sentimento universal de uma pessoa diante de um perigo ou de uma situação desconhecida. Todos nós  temos medo e este medo serve para nos preservar, para nos defender. Nos pacientes fóbicos este medo é tão exagerado para situações que não amedrontam a maioria das pessoas e desencadeiam uma série de sintomas quando a pessoa é exposta à situação que provoca a fobia.
Sintomas de uma crise de ansiedade:
coração disparado, formigamento, falta de ar, sensação que vai desmaiar, que vai ficar louco, inquietação, sensação de quente e frio, sudorese, palidez ou rubor, náusea, vômitos, tremores nas mãos.
O homem, ao criar a civilização, sempre tentou dominar a natureza, para sua própria defesa, criar leis para regular as relações entre os homens, criou a ciência, a medicina para evitar as doenças, a morte. Os medos básicos do homem aparecem quando ele é confrontado com a sua fragilidade e impotência frente  às forças indomáveis da natureza, a doença, o envelhecimento e a morte, a relação com os outros homens.

AGORAFOBIA

Medo de estar sozinho em espaços abertos, em meio à multidão, em  lugares públicos onde uma saída rápida seria difícil para um lugar seguro em caso de ocorrer uma crise  de ansiedade. Por exemplo, supermercados, viagens em  transporte público como ônibus, trens, aviões, viajar sozinho, filas de banco, medo de sair de casa desacompanhado. A pessoa pode ir reduzindo a sua atuação social até ficar confinado em casa. Muitos são aterrorizados com o pensamento de que podem ter um ataque e serem deixados sem socorro em lugares  públicos. Depois as pessoas começam a evitar estes lugares com medo de terem o ataque de ansiedade. Ë o medo do medo.Sentem-se seguros apenas se acompanhados de uma pessoa de confiança, um familiar.
É a fobia mais incapacitante porque afeta o indivíduo na sua capacidade de funcionar em situações sociais e profissionais fora de casa e também afetivas, conjugais. Pode vir associado ou não d o transtorno de pânico.
Acomete mais as mulheres no início da idade adulta

FOBIA SOCIAL

Medo de expor-se a situações em que a pessoa sinta-se em evidência, medo de expor-se a um pequeno grupo de pessoas   apresentar um trabalho na escola para seus colegas, medo de falar em público, de assinar cheques, de escrever em público, de comer em público, medo de relacionar-se com o sexo oposto, o que leva a pessoa a evitar situações sociais. É o medo da crítica, o medo do olhar do outro.
Atinge igualmente homens e mulheres e iniciam-se na adolescência. Trazem profundo sofrimento aos seus portadores e podem também levar ao confinamento ao lar.

 FOBIAS ESPECÍFICAS ( ISOLADAS)

São fobias restritas à situações muito específicas tais como  medo de pequenos animais, ou de um determinado animal, medo de altura, medo de espaços fechados, por exemplo, elevadores, medo de doenças específicas, como AIDS, etc. O contato com a situação temida pode desencadear a crise de ansiedade. As pessoas começam a evitar estas situações e se exposição a elas,
O tratamento se faz com psicoterapia e medicamentos, quando os sintomas causam muito sofrimento e restringem a vida social, de trabalho e afetiva do indivíduo.

CAUSAS

A fobia é um medo específico, colocado na realidade externa do indivíduo que pode representar um deslocamento de algum medo desconhecido, dentro de si mesmo, projetado para fora. Depende da singularidade de cada um, de sua história, de suas vivências emocionais, de sua estrutura psíquica.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL : ENTREVISTA


Transtorno Dismórfico Corporal


1-      Hoje em dia temos vários distúrbios psicológicos ligados ao corpo. Um deles é a dismorfia corporal. Como a pessoa desenvolve este distúrbio?

Primeiramente gostaria de explicar o que é a dismorfia. A dismorfia  corporal, também chamada transtorno dismórfico corporal, é um transtorno mental no qual a pessoa se sente extremamente preocupada com a sua aparência física e se atribui defeitos físicos que não existem realmente, mas apenas na sua imaginação, o que lhe causa sofrimento intenso.Pode existir um pequeno defeito físico, por exemplo, um nariz grande, espinhas na pele, mas a preocupação e o sofrimento causados são desproporcionais e a pessoa se sente feia, acha que todos estão reparando e comentando sobre o seu possível defeito. Esta situação provoca prejuízos ao seu desempenho social e ocupacional

 O transtorno desenvolve-se em pessoas que tem uma predisposição biológica, uma predisposição  emocional adquirida no seu desenvolvimento psicológico desde os primeiros anos de vida, na formação da sua estrutura psíquica e de seu Eu. As características  culturais da sociedade atual com a valorização de um corpo perfeito e a tirania da beleza também são importante para o desenvolvimento deste transtorno.

2-      A pessoa que sofre de dismorfia vive uma busca constante pela beleza. Ela acredita , em algum momento, que alcançou a beleza esperada?

Estas pessoas são ligadas ao inverso da beleza, ou seja, à feiúra. Dismorfia é uma palavra grega que significa feiúra . Sentem-se feias e procuram corrigir seus defeitos imaginários com tratamentos dermatológicos e cirurgias plásticas, mas  nunca se satisfazem, porque o “defeito” não é no corpo, mas sim uma projeção no corpo de conflitos psíquicos inconscientes. Na estruturação psíquica do Eu existe uma fase que se chama fase do espelho, onde a criança se reconhece pelo olhar do Outro, no caso, a mãe. Alguma falhas neste processo criam feridas no narcisismo individual que continuam provocando dor. Onde algo não foi simbolizado, fica um vazio que se projeta  no corpo como um defeito físico imaginário.

3-      Por se sentir sempre feio e com defeitos, o dismórfico pode reduzir a sua identidade social? Qual prejuízo de uma atitude como esta?

Sim. O indivíduo portador deste transtorno começa a ficar isolado, sentindo-se mal, triste, tímido, o que prejudica a formação de laços sociais e afetivos e como este transtorno aparece na adolescência, causa prejuízos intensos na formação da sua identidade social.

4    A pessoa que tem dismorfia corporal costuma não acreditar quando alguém diz       que certo defeito não existe. Por que a pessoa cria esta realidade na cabeça e se apega tanto a ela?

Porque existe nestas pessoas uma deformação da imagem corporal, que é a representação psíquica que fazemos de nosso próprio corpo. Esta deformação é parcial, restringe-se a uma parte do corpo que geralmente é a face, mas pode ser localizada em qualquer parte do mesmo. Argumentações dos outros, embasadas  na realidade, não são ouvidas.

5-      Homens e mulheres são atingidos por este distúrbio na mesma proporção? Mas os sintomas são os mesmos nos dois?

Não existe diferença na prevalência deste transtorno entre homens e mulheres. Em relação à população geral , 1% dos indivíduos  são acometidos. As queixas mais comuns costumam ser na face, por exemplo, nariz comprido, rugas, manchas na pele, etc. Nas mulheres a maior preocupação costuma ser a pele e os cabelos(volume e comprimento). Nos homens o cabelo também é fonte de preocupação (calvície) e o tamanho dos genitais.

6      A dismorfia corporal pode ser uma porta de entrada para outros transtornos,   como a anorexia e a bulimia?

A  anorexia nervosa e a bulimia nervosa são transtornos alimentares que tem em comum com a dismorfia a alteração da imagem corporal. Se na dismorfia a alteração da imagem é parcial, na anorexia existe uma distorção da imagem do corpo na sua totalidade, a pessoa que sofre de anorexia se enxerga gorda, obesa, embora esteja magérrima. Existe também em comum uma falta de crítica  em relação aos sintomas e uma preocupação enorme com a aparência estética. E, claro que a preocupação de um portador de dismorfia pode se transformar numa preocupação excessiva com o peso corporal e o desenvolvimento de anorexia e bulimia nervosas. 

7 A dismorfia sempre afeta as pessoas na mesma intensidade ou ela tem graus   diferentes?

Existem desde quadros  leves até intensos e graves.


8 Existem  casos de pessoas que se deformaram em busca da beleza, e com isso desenvolveram depressão, angústia. O que mais a dismorfia traz à pessoa?

Além de depressão, angústia e ansiedade, o transtorno dismórfico corporal pode levar a um extremo isolamento social, os indivíduos podem abandonar a escola, evitar entrevistas em empregos, trabalhar em ocupações abaixo de suas capacidades, ou não trabalhar. Costumam ter poucos amigos, evitar encontros afetivos e outras interações sociais como festas, ter dificuldades conjugais em decorrência de seus sintomas. Nos casos mais graves, o sofrimento e as dificuldades sociais podem provocar ideações suicidas e tentativas de suicídio ( em comorbidade com depressão).
O Transtorno dismórfico corporal pode estar associado ao Transtorno depressivo maior e ao transtorno obsessivo compulsivo. Observa-se uma incidência maior nas famílias que tem portadores de TOC.

9 Muitas pessoas vêem nas celebridades o tipo físico perfeito e tentam a todo custo copiá-las. Como esta exaltação à beleza contribui para que as pessoas desenvolvam a doença?

Estes são os aspectos culturais do nosso tempo, com a valorização excessiva da imagem, da beleza, da juventude, da estética, do individualismo, em detrimento de valores éticos. E muitas vezes a imagem  estética é associada a sucesso, à felicidade, à inteligência, o que faz com que se procure um ideal inatingível de beleza, veiculados pela celebridades, mas impossível para a grande maioria da população. Estes aspectos de nossa cultura global criam um solo propício para o desenvolvimento da dismorfia.
 
  10       Os cirurgiões plásticos são os médicos mais procurados pelas pessoas que tem dismorfia corporal. Como pode ele distinguir um paciente dismórfico de outro normal?

Bem, todas as pessoas que procuram por uma cirurgia plástica estética  estão preocupadas com a aparência. do próprio corpo, ou seja , cuidados com a saúde e com a imagem física  fazem parte do cotidiano das pessoas que procuram os cirurgiões plásticos.  Para identificar um portador de transtorno dismórfico corporal, o cirurgião plástico deverá efetuar uma avaliação clínica minuciosa tendo em vista esta questão. Os indivíduos portadores do transtorno fazem queixas subjetivas que estéticamente são infundadas e muitas vezes já passaram por mais de uma cirurgia e mantêm-se sempre insatisfeitos. Caso o cirurgião os opere, isto trará ao paciente uma nova demanda de insatisfação consigo mesmo e com a cirurgia, acarretando agravamento do quadro.

   11 A dismorfia pode surgir em todas as fases da vida?

O transtorno dismórfico corporal aparece no início da adolescência e na adolescência tardia( até os 20 anos). A evolução é flutuante, às vezes melhora e às vezes acentua-se e tende a ter uma evolução crônica, se não tratado.
12 A família dos pacientes pode confundir o distúrbio com vaidade? Como os familiares podem perceber que não é frescura?

A princípio pode parecer apenas vaidade para os familiares. Mas a diferença logo se fará notar porque quem é portador do transtorno dismórfico estas idéias são supervalorizadas chegando a tornarem-se obsessivas. Trazem um sofrimento intenso e uma alteração no comp[ortamento social do indivíduo.
13  Existe tratamento para este distúrbio? Como é?

Sim. O tratamento é psicoterápico e medicamentoso, de acordo com cada caso.

14  E como a pessoa pode conviver com este distúrbio sem perder a qualidade de vida?

Desde que reconheça a necessidade de tratamento especializado psiquiátrico e psicoterápico. Pois estes pacientes não têm crítica de seus sintomas. A partir momento do reconhecimento da necessidade de procurar tratamento  e do início do mesmo, tudo pode melhorar na vida destas pessoas.

 Marilia Brandão Lemos

 

 

 

TRANSTORNOS ALIMENTARES : ENTREVISTA


TRANSTORNOS ALIMENTARES  

1 - O que são os transtornos alimentares? Bulimia, anorexia, compulsão alimentares estão entre os mais comuns? São problemas contemporâneos ou sempre existiram e só não eram diagnosticados?

Transtornos alimentares são alterações do comportamento alimentar, da relação do indivíduo com   sua forma de comer e beber, intermediada pelas emoções, alterações estas que  provocam prejuízo à saúde do mesmo e consequências na sua vida social e afetiva.
A anorexia e a bulimia nervosa são as síndromes clássicas dos transtornos alimentares. O transtorno da compulsão alimentar periódica é uma classificação mais recente.
Anorexia nervosa caracteriza-se pela perda de peso induzida e mantida pelo paciente, associada a uma distorção da imagem corporal e um medo doentio de engordar, uma recusa patológica de se alimentar, podendo chegar a graus graves de inanição. As pacientes sentem-se gordas apesar de todas  as evidências em contrário.
A bulimia nervosa consiste de repetidos episódios de ingestão de grandes quantidades de alimentos em um curto intervalo de tempo, associado a um sentimento de perda de controle. Preocupações excessivas com o ganho de peso levam o paciente a adotar medidas extremas para evitar engordar tais como a autoindução de vômitos, uso de laxantes, de medicamentos para diminuir o apetite, de preparados tireoidianos, de diuréticos, de jejuns prolongados, de exercícios físicos exagerados, etc.
O transtorno da compulsão alimentar periódica inclui pessoas, muitas vezes obesas, que apresentam episódios recorrentes de compulsão alimentar (binge eating) : o excesso alimentar e a perda de controle. Os indivíduos relatam  angústia  , culpa e tristeza após os episódios de comilança excessiva. Não está associado aos comportamentos de purgação (vômitos induzidos, jejuns acentuados, automedicação).
Os transtornos alimentares sempre existiram. No final do século XIX começaram a surgir descrições de anorexia nervosa na literatura médica. Em 1873 o psiquiatra inglês William Gull e o psiquiatra francês Ernest-Charles Lasègue descreveram, independentemente, quadros clínicos de anorexia nervosa. O historiador Bell (1985) descreve em seu livro Holy anorexia a vida de 260 santas e beatas da Idade Média e suas práticas de jejum religioso a partir do século XIII. Para Bell, a chamada por ele de “anorexia sagrada” é semelhante à “anorexia moderna”, pois entende que em ambas há um conflito de identidade, uma tentativa de libertação feminina de uma sociedade patriarcal.
Na tragédia grega Antígona, de Sófocles, escrita na Antiguidade, já aparece uma descrição da personagem que se recusa a se alimentar para preservar o seu desejo.
Acreditamos que a cultura da modernidade favorece o desencadeamento dos transtornos alimentares, serve como solo propiciador para o desencadeamento dos fatores biológicos, psíquicos e familiares, das predisposições singulares de cada um.

2 - Os transtornos alimentares estão ligados à forma como as pessoas processam as emoções. Por que isso ocorre?

Cada pessoa adoece de acordo com suas predisposições individuais, de suas predisposições genéticas expostas ao meio social e cultural em que vive,  de seu desenvolvimento emocional, desde os primeiros anos de vida,  de suas relações com o outro, da sua disposição familiar, afetiva, de situações desencadeantes do momento em que vive. Algumas desenvolvem os transtornos alimentares. Estes afetam mais adolescentes e adultos jovens, e mais mulheres que homens. A forma do adoecer psíquico é singular e depende da história de cada um, desde os primeiros anos de vida, de seus traumas, da sua vulnerabilidade.
Os fatores socioculturais tem sido muito pesquisados no desenvolvimento dos transtornos alimentares, desde as mudanças no modelo idealizado de beleza, passando pelo  papel da globalização, até as transformações do lugar social e político ocupado pela mulheres e os seus desdobramentos na formação da identidade feminina.  Mudanças nos padrões de beleza, o ideal da magreza, a depreciação da gordura,  a excessiva valorização estética do corpo  associada a valores éticos tais como:_ Ser magro é igual a ter autocontrole, competência profissional, ser eróticamente atraente. Uma pressão social em relação à magreza exposta pela mídia, além de mudanças socioeconômicas da sociedade ocidental e mudança de valores podem criar um ambiente psicológico propício para o desencadear destes transtornos. Mas apenas os indivíduos susceptíveis desenvolverão o transtorno.
Os fatores familiares são enfatizados no desencadeamento dos transtornos alimentares. Famílias com dificuldades de resolver conflitos, de reconhecer e propiciar a separação e individuação de seus membros ou que desenvolvem um relacionamento muito crítico e exigente em relação ao corpo podem também propiciar um solo favorável ao desencadeamento dos transtornos alimentares.

 3 - Do ponto de vista neurológico, qual a relação podemos estabelecer entre as emoções e o apetite ou a falta dele?

O ato de alimentar-se se inicia pelo estímulo sensorial e cognitivo desencadeado pela aparência do alimento, seu cheiro e sabor e são reforçados pela sensação de prazer que a alimentação produz. A fome pode ser definida como a motivação para procurar e ingerir alimentos, começando um período de comportamento alimentar. O que põe fim à sensação de fome é a saciedade. Os sinais de fome antes do consumo de alimentos provocados pelo cheiro e sabor servem para estimular e dar continuidade ao processo de ingestão. Neurotransmissores são liberados no cérebro, em especial a dopamina, os opiáceos endógenos e os endocanabinoides,  que estão associados com o prazer de comer. A resposta inicial do organismo é a salivação e a produção de hormônios tais como insulina, glucagon  e outros que visam dar continuidade ao processo. A regulação do apetite também está relacionada a gatilhos fisiológicos e hormônios intestinais, tais como a grelina, o hormônio da fome, secretado antes de uma refeição, quando o estômago está vazio e suprimido pela ingestão de alimentos, que atuam em  neurônios do hipotálamo estimulando o apetite. A leptina é produzida pelas células de gordura  ativa regiões hipotalâmicas responsáveis pela saciedade.           Estes são apenas alguns exemplos da diversidade química e fisiológica da “cascata da saciedade” descrita por Blundell referente à ação de preparar-se para consumir e o consumo real de alimentos e sua cascata de sinais.
Do ponto de vista psicobiológico, inúmeros locais do cérebro influenciam o comportamento alimentar, especialmente o tronco cerebral, o sistema límbico e o hipotálamo. A fome, a vontade de comer serve aos interesses do instinto de conservação, da preservação do indivíduo enquanto vida, da pulsão de vida, de  Eros e   o ato de alimentar-se é um ato prazeroso e um ato social, pois que a refeição sempre teve esta conotação de celebração, de congraçamento, vide almoços em família, banquetes de casamento, ceias de Natal e até a comunhão, na religião católica tem este simbolismo de alimento. A função orgânica da alimentação, no homem, se acha elevada a uma função erótica, passando do registro da necessidade para o registro do desejo. O comer e o beber se inserem como atividades eróticas que o corpo realiza. Não é apenas fome, é apetite. A dimensão simbólica dos alimentos é a parte mais rica e é ela que assegura o desejo, o prazer de alimentar, a degustação do prato predileto, o paladar compartilhado, a comunhão com a família e amigos no ato de comer.
As emoções interferem no apetite aguçando-o ou inibindo-o. A ansiedade, a depressão, do mesmo modo que em alguns indivíduos estimula-os a comer mais, noutros inibem-lhes o apetite e em outros desenvolvem os transtornos alimentares.

 4 - Por que, muitas vezes, resolvemos angústias e outros sentimentos negativos comendo chocolate ou sorvete?

O ato de comer um chocolate ou sorvete, alimentos doces, de textura agradável ao paladar e de alto teor energético nos alivia e acalma, estimulam a liberação de neurotransmissores cerebrais que desencadeiam uma sensação prazerosa e agem como um tranquilizante e sedativo de nossas dores momentâneas, antídoto para nossas angústias eventuais.  O chocolate é rico ainda em algumas substancias estimulantes do cérebro e que aumentam a sensação de  prazer.

( Entrevista  de Marília Brandão Lemos à jornalista Marcia Maria Cruz, do Caderno Bem Viver, do jornal Estado de Minas)